Criminologia

Pobres não podem usar drogas

Tiago e David são dois jovens (com idade entre 18 e 21 anos), ambos estudantes. A diferença entre eles é que Tiago é de classe média/alta e está no curso de Direito; enquanto David é de família humilde, morador da periferia e faz um curso técnico oferecido pelo Estado.

Tiago tem uma mesada dos pais e estagia no Fórum da sua cidade. David, com muito custo, fazendo bicos, consegue dinheiro para se divertir, pois os pais não podem lhe dar nada nesse sentido.

Apesar das diferenças entre eles, há algo que os une, os dois são “maconheiros”(como dizem por aí), isto é, são usuários de maconha.

Tiago e David não se conhecem, ao menos não se conheciam até o dia em que foram à boca de fumo comprar drogas.

Nesse dia, os dois jovens foram até uma boca de fumo localizada em uma periferia da cidade, David já morava pelas redondezas e foi de bicicleta; Tiago foi com o carro que ganhou dos pais como prêmio pela aprovação na faculdade.

Tiago comprou 15 buchas de maconha, pois queria evitar voltar lá tão breve, e 03 papelotes de cocaína, tendo em vista a festa que teria mais tarde; David, como não tinha muito dinheiro, só comprou 03 buchas e guardou os outros R$ 15,00 para jogar videogame de tarde.

Pra azar dos dois, quando voltavam, Tiago em seu carro e David em sua bicicleta, a polícia estava fazendo um patrulhamento de rotina na região e determinou que os dois parassem, os abordaram e localizaram as drogas que haviam acabado de comprar.

Quem vocês acham que foi autuado por uso de entorpecente e quem foi autuado por tráfico de drogas?

Para o “Sistema”, Tiago tinha, além da aparência, condições financeiras de estar naquele local apenas para comprar drogas, pois era de classe média/alta, universitário, estagiário, tinha um carro, …

Já no caso de David …

David era morador de periferia, pobre, não trabalhava “oficialmente”, não estagiava, estava de bicicleta, logo, com que dinheiro estaria comprando drogas? E o dinheiro (em notas fracionadas) que foi encontrado com ele era proveniente de onde?

Tá na cara que as circunstâncias (além de todas essas que eu disse, estava em um local conhecido pelo intenso tráfico de drogas, em atitude suspeita) demonstram que ele, David, praticava o crime de tráfico de drogas!

Essa é a realidade do Sistema Penal, onde o pobre, quando vai comprar drogas para uso pessoal, é preso e processado como se fosse traficante.

Afinal, pobre não pode usar drogas!


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7 replies »

  1. Quando estava na faculdade saímos para fumar, o chapeiro da lanchonete, um brother da sala, e eu.
    Fomos parados no bairro do Fórum, de São Caetano do Sul.
    O policial encontrou o flagrante dentro do carro.
    Ao me questionar sobre a propriedade do baseado, já foi insinuando para eu alegar ser do chapeiro, algo que não era verdade.
    Enfim, esse caso ocorreu há 20 anos.
    Seu post, assim com esse caso, continuam sendo a realidade absoluta.
    Abraço,
    George

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  2. Vivemos numa sociedade de estereótipos e isso não é necessariamente ruim. Colocar essa ”diferença de classes” não aponta absolutamente nada: nem o critério dos policiais, nem o uso de drogas, nem a ”desigualdade social”. Não entendi o propósito do texto, sinceramente.

    Curtido por 1 pessoa

    • Ei, boa tarde.

      É simples, o texto retrata a teoria da seletividade penal, uma teoria da criminologia crítica que demonstra que o Direito Penal tem mais olhos para pessoas de classes mais baixas.

      Segundo a teoria da seletividade penal, pessoas de classes sociais diferentes, flagradas em situações idênticas, têm tratamentos diferenciado por parte do Estado.

      No caso do texto, foi apenas uma historinha para retratar isso.

      Duas pessoas na mesma situação, comprando drogas para uso pessoal, sendo tratadas de maneira diferente. Enquanto uma é considerada usuária a outra é tratada como traficante.

      No caso das drogas, uma das formas de “identificar” usuários é verificar as condições pessoais do indivíduo. Assim, uma pessoa pobre tem muito mais chance de ser considerada traficante do que uma de classe média. Afinal, a classe média tem capacidade financeira de adquirir drogas. Já no caso do pobre, é mais provável (aos olhos do Estado) que ele esteja no local para vender drogas.

      É essa a questão.

      E outra, estereótipos são sempre ruins, pois julgamos pela capa, pelo que a pessoa aparenta ser e não pelo que ela é.

      Um grande abraço!

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  3. Acho que a realidade de hoje traz muito mais nuances. Hoje tudo gira em torno do dinheiro; o sistema prefere ganhar uma fiança fácil, umas droguinhas de graça das mãos deles, ou até mesmo que o “riquinho” “molhe” a mão dos guardas pra sair livre…
    E por aí vai… o norte hoje do comportamento humano, principalmente nessa área, não é mais o status, nem a aparência, é o dinheiro nu e cru.

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    • Ei, Jason, boa tarde.

      Em casos envolvendo tráfico de drogas eu não penso assim. Primeiro pq não cabe, teoricamente, fiança. Segundo, a corrupção não é tão generalizada como pensamos. Policiais, por serem pessoas, estão tendentes a agir pelos seus (pre)conceitos.
      Em uma boca de fumo, quem tem melhores condições financeiras sairá como usuário na grande maioria das vezes. Ao contrário do que acontece com aquele que não tem tantas condições e é integrante da classe social preferida pelo Direito Penal.

      Um grande abraço!

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