Criminologia

A responsabilidade da TV pelo aumento da criminalidade

Independente do horário ou do dia, da cidade ou do Estado, nossos telejornais (locais ou nacionais) são verdadeiros repositórios de notícias ruins – crimes, mortes, acidentes, tragédias, …

São raros os momentos em que não vemos a propagação do ódio entre pessoas. Talvez isso só ocorra na hora de apresentar a previsão do tempo, ou de falar sobre esportes (desde que não mostre nenhuma agressão).

Se tem um “assunto da moda”, de preferência envolvendo muito sofrimento e brutalidade, aí é que os jornais só falam sobre isso.

Todos lembramos do caso do caso do esfaqueamento daquela pessoa no RJ, num roubo de uma bicicleta. Quantos outros casos foram noticiados após esse, não só no RJ, mas em outros Estados?

E na época em que a “moda” era explodir/arrombar “caixas rápidos”?! Só se falava nesse tipo de crime.

O mais “engraçado” disso tudo é que a maior parte dos crimes que são noticiados acabam sendo repetidos, inclusive na forma de atuação, passoapasso.

Assim, mais parece que os telejornais, ao invés de prestar um bom serviço à sociedade, se tornaram uma escola do crime.

Não sabe como praticar determinado crime?! Assista aos telejornais, pois eles te dirão como fazer!

Vamos ao exemplo do “caixa rápido”.

Aqui no ES, há uns anos, “entrou na moda” invadir estabelecimentos comerciais no período da noite (quando o comércio estava fechado), com um veículo de carroceria (camionetes, e levar embora o caixa eletrônico do local.

Geralmente, os agentes usavam o próprio veículo para quebrar a entrada do local, entravam de ré até o local do caixa, o colocavam na carroceria e fugiam.

Bastou esse crime sair na mídia, com detalhes (forma de atuação, tempo de duração da ação, dentre outros), que pouco tempo depois só se falava nisso e no aumento de roubos/furtos de camionete e pick-ups (utilizadas para transportar o caixa).

E como disse, os crimes, surpreendentemente, eram muito parecidos e não necessariamente eram praticados pelas mesmas pessoas.

A violência está tão grande e tão espalhada que não precisamos desse (des)“incentivo”. Eu, pelo menos, dispenso.

Tento entender qual a necessidade de passar a reconstituição de crimes bárbaros em rede nacional e, o mais impressionante, a perseguição policial (que pode resultar, como resultou, na exibição de um homicídio ao vivo), com direito a narrador, comentarista esportivo e de arbitragem, além dos repórteres de campo.

Sem falar do atual discurso amplamente repassado pela mídia sobre a “impunidade”, seja na apuração dos crimes, seja no julgamento deles.

Afirmam que é muito fácil praticar crimes e que a probabilidade de ser pego é muito pequena; que a Polícia não prende e a Justiça não julga.

Sabe quais são os efeitos dessa afirmação? Ao criarem esse paraíso da impunidade, acabam por gerar dentro daqueles que já possuem certa tendência à prática criminosa a fagulha que faltava para acender o pavio da criminalidade.

O cara tá lá na casa dele, desempregado, sem oportunidade, sem perspectiva de futuro, …, e vê na televisão a toda hora que “a vida tá boa pra bandido”. Sabe o que ele faz? Se arrisca a praticar um crime, afinal todos dizem que a chance de ser pego é menor do que a de escapar impune.

Acaba, então, que a mídia, ao propagar essa “impunidade”, incita a prática delitiva, contribuindo para o aumento da criminalidade, fazendo com que sejam noticiados mais crimes, crescendo a sensação de impunidade, que faz com que as pessoas sejam incentivadas a praticar crimes e, dessa forma, aumente as noticias das práticas criminosas e assim sucessivamente.

Por outro lado, essa propagação da “impunidade” gera na sociedade um medo excessivo e muitas vezes desnecessário, o que faz com que haja uma cobrança maior por segurança, por políticas criminais mais severas, dividindo o Brasil entre “cidadãos de bem” x “bandidos”.

Dessa forma, os políticos, cercados pela cobrança social, inflamada pela mídia, abraçam os anseios propagados, como forma de não parecerem desatualizados e, assim, percam votos com a população.

Leis são criadas/alteradas, posicionamentos jurisprudenciais são mudados, tudo com o objetivo de saciar esse ímpeto.

Na verdade, o mais triste nem é ver na televisão (24h por dia) essas aulas de prática criminosa e incentivos à criminalidade.

O pior mesmo é saber que isso é muito noticiado por ter público para assistir (ô se tem!).


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