Criminologia

O álcool mata cada vez mais e ainda achamos “legal”

O álcool mata cada vez mais e ainda achamos “legal”.

A prova disso é que eu estava a ver os lances da rodada da Champions League no site do GE, um dos maiores portais esportivos da nossa internet, quando vi uma propaganda sobre álcool, mais especificamente sobre a cerveja, sobre o “cervejeiro”.

Bastava começar a reproduzir os vídeos dos lances dos jogos que logo surgia em cima do vídeo a seguinte frase: “O MUNDO CERVEJEIRO É MAIOR DO QUE VOCÊ IMAGINA. DESCUBRA!”.

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Ao ver essa propaganda, imediatamente me questionei: Essa mensagem atingiu quantas pessoas? Quantos jovens menores de 18 (dezoito) anos, apaixonados por futebol, viram essa mensagem e absorveram o seu conteúdo?

Hoje, o álcool está estampado em todos os lugares, mas a TV é o seu alvo predileto.

O esporte, então, se tornou a sensação alcoólica. Esporte + cerveja = combinação perfeita. Ao menos é isso o que querem que pensemos.

Afinal, “o mundo cervejeiro é maior do que você imagina” e você deve descobri-lo (não é mesmo?!).

Futebol é coisa de homem”, logo, a propaganda da cerveja visa atingir esse público (o masculino), seja de qual idade for. Não importa se é criança. Na verdade, é até melhor que seja jovem, pois, assim, desde cedo já nasce aquela vontade de “beber uma gelada”.

Isso tudo seria interessante, desde que o Brasil não fosse um dos países que mais contabilizam mortes em decorrência do álcool.

Atualmente, o Brasil ocupa a 5ª colocação nas Américas quando o assunto é morte em decorrência do álcool, com o impressionante número de 12 mortes para cada 100 mil habitantes por ano.

As taxas de mortalidade por consumo de álcool variam entre os países: as mais altas são as de El Salvador (uma média de 27,4 em 100 mil mortes por ano), Guatemala (22,3) e Nicarágua (21,3), México (17,8) e, em quinto lugar, do Brasil (12,2 para 100 mil mortes por ano).

Só para se ter uma ideia de como esses números são alarmantes, tivemos, em 2014, 58.559 mortes intencionais violentas no Brasil (homicídios), o equivalente a 28 pessoas mortas para cada 100 mil habitantes, números não muito distantes das mortes por uso de álcool.

Lembrando que esses dados são relacionados às mortes pelo consumo do álcool e não dizem respeito àquelas mortes causadas por pessoas alcoolizadas (homicídio causado por pessoa bêbada, mortes no trânsito,…).

Pior fica quando observamos os números relativos às pessoas do sexo masculino:

Um relatório da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), lançado em agosto de 2015, aponta que, no Brasil, 73,9 homens a cada 100 mil habitantes morreram por causa do álcool em 2010, deixando o país na terceira posição entre os países das Américas. Entre as mulheres foram 11,7 a cada 100 mil habitantes e a 11º colocação no ranking.

A situação é tão ruim, que o alcoolismo é a oitava causa de concessão de auxílio-doença, consumindo de 0,5% a 4,2% do PIB. Sem falar que o alcoolismo é o terceiro motivo para faltas e é a causa mais frequente de acidentes.

Não podemos mais tolerar essa farra publicitária sobre o álcool, principalmente a cerveja.

Beber não é normal. Ficar bêbado muito menos.

Temos que acabar com a boa imagem do álcool, como se beber fosse a solução dos problemas.

Ao que tudo indica, beber é o começo dos problemas.

Aí eu te pergunto: O uso, indiscutivelmente, faz mal à saúde. Cada vez mais o número de mortes cresce. O gasto público decorrente do consumo é enorme (seja para o SUS, para o INSS, para os empregadores, para a família, para a sociedade, …). Como, então, solucionar esses problemas? Será que é criminalizando a conduta?


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4 replies »

  1. É que vejo na emergência onde trabalho. Traumas cranianos por queda, insuficiência hepática, insuficiência cardíaca, demência, síndrome abstinência alcoólica… Enfim qualquer emergência esses pacientes chegam a ocupar de 1/3 a 2/3 das vagas. Custo enorme, internações prolongadas, afastamento pelo INSS, famílias despedaçadas. Um tremendo estrago causado pelo álcool e varrido pra debaixo do tapete.

    Curtido por 1 pessoa

    • Ei, Rodrigo, obrigado pela contribuição.
      O pior de tudo é que somente propagamos o lado “bom” da bebida.
      O que jogamos para debaixo do tapete é o que há de ruim nele. Isso sim é escondido, infelizmente.

      Um grande abraço!

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  2. Meu amigo vc ignora a comunidade que bebe socialmente, que gera empregos e renda com o comércio da cerveja, destilados e afins pq o cidadão desequilibrado não sabe utilizar do álcool. Vamos criminalizar as facas, armas tb, pq elas quem matam e n o homem. Seja coerente e pare de tirar a responsabilidade de quem consome e n jogar culpa em cima da bebida.

    Curtido por 1 pessoa

    • Ei, Carlos, boa tarde!

      Primeiro, sou contra a criminalização das drogas e é esse o pano de fundo do texto (desse e de vários outros que escrevo).

      Não se mantém mais o discurso de que droga faz mal e por isso deve ser criminalizada. Por isso fiz o texto demonstrando como o álcool tb faz mal mas não é criminalizado (e não acho que deveria ser).

      E não, não desconsidero quem bebe sem maiores problemas (eu bebo). Eu critico é a ode ao álcool, o status advindo da bebida, a necessidade (imposta) de beber.

      E se vc parar para analisar os dados, não são simples cidadãos desequilibrados que não sabem usar o álcool. É MTA gente morta em decorrência do consumo excessivo.

      Logo, temos que discutir as drogas e os seus efeitos, fazendo com que o usuário tenha real ciência daquilo que está fazendo.

      Se conscientizar não precisa criminalizar.

      Um grande abraço

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