Audiências de Custódia

A (ausência da) família e a escolha pela subversão

O preso foi apresentado ao juiz da audiência de custódia (procedimento em vigor nos Estados de SP e ES) e começou a ser qualificado processualmente, com perguntas sobre nome, filiação, data de nascimento, dentre outras.

Em determinado momento (acredito que em resposta a pergunta se residia com os pais) aquele indivíduo que se encontrava preso disse: “Eu não moro com os meus pais, moro com minhas irmãs mais velhas. Logo depois que eu nasci meus pais me deixaram com elas e foram embora. Elas que me criaram. Eu até conheço os meus pais, mas nunca tive o amor deles“.

Pronto! Esse é o ponto da questão, grande responsável pelos nossos problemas.

A falência da família (independentemente do conceito de família adotado), na minha opinião, é o que fez gerar esse caos vivido em nossa sociedade, com reflexo direto nas estatísticas criminais.

O relato desse preso, ao dizer que “nunca teve o amor deles (pais)”, veio acompanhado de sofrimento, de revolta contra tudo e contra todos, influenciando para a escolha de entrar para o mundo do crime.

Não. Eu não sou daqueles que acreditam e saem por aí afirmando que essa ruptura do núcleo familiar justifica por completo a prática criminosa, tampouco que todas as pessoas que têm problemas familiares serão criminosos. Apenas creio que é uma forte influência.

Para tanto, basta vermos que grande parte dos presos não tem nenhuma referência familiar e/ou ostentam em sua Certidão de Nascimento o tão famoso “P. N. D.” (pai não declarado).

Se você não tem referência familiar ou, se tem, são péssimas referências, a tendência é que não consiga ter boas relações sociais, transgredindo as normas existentes.

O Estado e a Sociedade não conseguirão resolver esses problemas sozinhos, sem que haja uma mudança de pensamento individual que atinja as famílias e a necessidade de educar melhor as pessoas.

Temos que estar mais presentes na vida de nossos filhos, reassumindo o papel de educá-los, participando da vida escolar, conhecendo seus amigos e suas atividades diárias.

Nos dias de hoje, a família está ausente, sendo até mesmo inexistente; a escola, consequentemente, não consegue (e não deve) exercer as funções familiares; e a criança de hoje, futuro infrator, permanece desassistido, vindo a ser notado, quando vem a ser, somente com a prática criminosa.

Uma das coisas que podem interferir diretamente na decisão de praticar ou não um crime é a reprovação familiar dessa atitude. Se não tem família, nunca teve uma referência, pouco provável que tenha receio de desagradar alguém e acabe com a escolha mais fácil, que é a de cometer o crime.

Afinal, o que ele tem a perder?


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Um grande abraço!

4 replies »

  1. É a mais pura verdade! A ausência da família na vida de um jovem ou adolescente marca o coração (que é a mente, o pensamento), e é o mesmo que dizer pra ele: “quem se importa com você?”…
    Você já ouviu falar dos dois garotos que jogavam bola quase todos os dias juntos ali, em frente de suas casas? A mãe de um deles sempre aparecia no portão para chamar seu filho para o jantar, banho e descanso.O filho dizia: minha mãe é muito chata…o amiguinho retrucava : -não é não, eu queria que minha mãe fosse igual a sua!!!
    Sem mais…

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  2. Excelente artigo. Vc tem toda razão, a ausência de reprovação familiar meio que abre o caminho. Mas foi muito importante sua ressalva: “Eu não sou daqueles que acreditam e saem por aí afirmando que essa ruptura do núcleo familiar justifica por completo a prática criminosa”. Subscrevo.
    Um forte abraço!

    Curtido por 1 pessoa

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