Crise social

É o fim (ou perto disso)

A tragédia ocorrida em MG, relacionada ao rompimento da barragem de rejeito da empresa Samarco, demonstra, no mínimo, uma coisa: o que tá ruim pode ficar ainda pior.

Se não fosse suficiente todos os danos materiais causados às pessoas que moravam em cidades próximas às barragens, ainda temos os (incalculáveis) danos ambientais.

Em todo o percurso do rio só se vê uma coisa: morte. Morte do rio, morte dos peixes, morte da vegetação, morte do sustento de milhares de pessoas.

As imagens veiculadas na mídia e na internet demonstram que os rios, após a passagem da lama, secaram, a vegetação sumiu, as nascentes foram soterradas, os peixes morreram e o que era água passou a ser apenas um gigantesco lamaçal.

A lama passou, carregou tudo o que estava no seu caminho e, para piorar, por onde passou, deixou uma enorme camada espessa de terra, a qual, obviamente, impede a recuperação da natureza.

Tem, ainda, o risco de contaminação com metais pesados (por mais que a empresa tenha negado essa possibilidade, não há como descartar essa possibilidade).

Estudos realizados por entidades particulares demonstram o alto índice de metais na água e nos seres vivos, o que, como era de se esperar, é negado pela empresa.

E mais, a “lama” ainda está vazando para o rio, logo, não há previsão de melhora.

Como ficarão as pessoas que necessitavam do rio (que era “Doce”) para sobreviver?

Agricultura, pecuária, pesca, dentre vários outros meios de sobrevivência não mais serão viáveis.

Quanto tempo será preciso para que a natureza se recupere disso tudo?

O que começou em uma cidade mineira, terminou no mar capixaba. Quilômetros e quilômetros de distância.

A pesca está proibida em toda a região. Uma vila de pescadores (chamada Regência) que fica na boca do rio doce, no litoral do Espírito Santo, acabou. Aqueles que podem estão se mudando do local, pois onde antes era cheio de turistas, hoje está às moscas.

Regência é uma vila de pescadores famosa pelas suas ondas perfeitas, o que fazia com que turistas do mundo todo fossem para lá atrás de altas ondas.

Pescar não é mais permitido, surfar tampouco. Logo, o que fazer em Regência? Nada!

Água doce, água salgada, vegetação, incontáveis animais, seres humanos,…, qual é o tamanho do dano?

Mas, ao que tudo indica, a preocupação das “autoridades” não é essa. A preocupação é em achar um “culpado”, um “culpado” que não possa ser responsabilizado.

Logo após esse crime, o Secretário de Estado, publicamente, anunciou que a Samarco seria vítima (?!) do ocorrido; bem como trataram de encontrar um “tremor de terra” para justificar o rompimento.

Assim, ao que tudo indica, “coitada da Samarco“, né?!

E nós, que já sofríamos com a falta de água e com o assoreamento dos nossos rios, ficamos em uma situação ainda pior, sem saber como serão os próximos anos.

Chegou a hora de repensarmos o nosso modelo de sociedade. Até que ponto o progresso é importante? Será que realmente vai ser preciso “acabar” com o planeta?

Temos que lembrar de uma coisa só: nós temos que nos adaptar à terra e não o contrário.


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14 replies »

      • Sabe que me incomoda também quando a imprensa, às vezes, diz: a tragédia em que morreram 19 pessoas. E ponto final. Olha, com o devido respeito aos mortos e suas famílias, mas neste país que mata mais no trânsito e na violência urbana do que muitas guerras por aí… Aliás, acidentes com um ônibus só matam mais do que isso… Então a imprensa está fora de foco, porque a verdadeira tragédia por que esse fato lamentável definitivamente entrou para a história é: trata-se do pior desastre ambiental da história do Brasil! “Só” isso! Aí me aparece esse secretário com peninha da empresa? E vc lembra das manifestações em favor da empresa, porque afinal ela emprega as pessoas, paga os salários e os impostos… mas a que preço! “Que país é este?”

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      • A preocupação é com $$$$$$$$$$
        O que eu preciso fazer (ou deixar de fazer) para lucrar mais?
        Eu, como capixaba, já sofro de mais com o pó de minério (chamado “pó preto”) que a Vale joga na nossa bela capital. Se não fosse o bastante, a Samarco, empresa da Vale, acabou com o nosso maior rio (que já estava moribundo) e com parte do nosso litoral.

        E o pior, o Governo deixou a cargo das empresas poluidoras o encargo de recuperar e administrar verbas e fundos. Colocaram um máximo que pode ser gasto, mas não há mínimo.

        Eu, particularmente, tenho me preocupado com o nosso futuro imediato. O Brasil, que tinha tudo para ser um paraíso, uma perfeição, está sendo destruído pouco a pouco pelos próprios brasileiros.

        Vamos fazer a nossa parte e tentar iluminar o máximo de pessoas possível, para, assim, quem sabe, dar um futuro melhor do que o que se aproxima.

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      • Sim, involução. Isso me lembra uma coisa: sempre me chama a atenção o discurso desenvolvimentista ou da empregabilidade que não leva em conta a sustentabilidade. Funciona mais ou menos assim: “mas se proibirmos o desmatamento da Amazônia, vamos gerar desemprego nas madeireiras ilegais”.
        Pois meu caro, esse discurso nunca me comoveu. Porque, se formos partir para esse tipo de argumento, então também não se pode combater o narcotráfico, porque os traficantes vão ficar desempregados.
        Sou pessimista. Creio que, infelizmente, essa “involução” não cessará enquanto não matarem o último rio e não derrubarem a última árvore. Que herança deixaremos às futuras gerações? Um planeta morto.

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      • Pois é…
        Não é fácil mesmo, afinal, o homem é ganancioso mesmo.
        Quem perde somos nós, pq o planeta se recupera.
        Mesmo que os rios sequem, que as árvores sejam cortadas, a água brotará novamente e as árvores nascerão.
        Poderemos não estar aqui para ver, mas acontecerá.
        Temos que mudar a forma de gerir a sociedade. Consumir menos, gastar menos, …

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