Criminologia

Quantos crimes você já presenciou?

Será que a criminalidade realmente está tão grande como parece ou será que compramos a sensação de insegurança que é vendida?

Ninguém duvida que vivemos uma grave crise de violência X segurança.

Logo, todos sabem que o mundo de hoje está muito perigoso.

Assaltos dos mais variados (com arma, sem arma, com agente, com vários agentes, com violência “além do normal”, com “pouca violência”), tiroteios, balas perdidas, sequestros relâmpagos,homicídios, saidinha de banco, roubo de carro no sinal/semáforo/farol, …

Mas será que realmente vivemos todo esse caos ou acreditamos que o problema é muito maior do que ele realmente é?

“Como assim, Pedro? Tá ficando doido? Por acaso você não lê/vê jornais/telejornais? São muitos crimes!”

Calma! Antes de conclusões precipitadas, deixe que eu me explique melhor.

Eu sei que muitos crimes acontecem, pois trabalho nessa área (criminal), diretamente com crimes, “criminosos”, vítimas, policiais, …

Mas vamos ver por outro lado, aquele que não nos mostram:

Quando ligamos a TV e colocamos no programa regional ou até mesmo nacional (pode ser o da manhã, o da tarde ou o da noite), logo vemos uma série de crimes praticados na respectiva região, no país.

Por exemplo, no ESTV (programa da Rede Gazeta, filiada à Rede Globo), que passa aqui no Espírito Santo, serão veiculadas várias notícias sobres os crimes que ocorreram no Estado.

Assim, vemos uma sequência de 05 ou 06 crimes e logo ficamos horrorizados com tantos crimes, imaginamos que esses crimes foram praticados na porta da nossa casa e que basta cruzar a porta de saída da residência que seremos vitimados.

Só que não paramos para pensar que os crimes noticiados ocorreram em todo um Estado ou em todo um País.

Se são praticados 5 homicídios brutais no país, o Jornal Nacional, por exemplo, o Datena, a Sheherazade, … ,noticiarão esses fatos um atrás do outro, transmitindo a sensação de que basta atravessar a rua que seremos vítima de um assassino cruel.

Quer ver só como as coisas não são assim como imaginamos?

Quantas vezes você presenciou um crime? Mas tem que ter presenciado. Não vale ter ouvido falar, ou ter acontecido com um conhecido.

Você já foi vítima de algum crime (tirando aqueles que o Estado diariamente comete)? Já foi assaltado? Já viu algum acontecer?

Não sei quanto a vocês, mas eu NUNCA presenciei e/ou fui vítima de um crime.

E olha que eu não sou daqueles que viveram trancafiados dentro de um apartamento a vida toda e não tem ideia de como é o mundo “lá fora”. Eu moro “lá fora”.

Tenho cerca de 30 anos; andei de transporte público durante toda a fase escolar e início profissional (mais de 15 anos de ônibus); moro na periferia, em uma das cidades mais violentas do meu Estado e do país (Cariacica é a 22ª cidade mais violenta do Brasil); trabalho na cidade mais violenta do meu Estado (Serra é a 10ª cidade mais violenta do Brasil);…

Logo, oportunidades não faltaram para que eu fosse vítima de um crime, mas, sabe-se lá o motivo, eu nunca fui vitimado e nunca presenciei a prática de nenhum.

Por isso, fico a pensar com meus botões: será que a criminalidade realmente está tão grande ou será que compramos a sensação de insegurança que é vendida pelo Estado?

Por fim, deixo claro que não desconheço o fato de que determinadas localidades apresentam maior taxa de crimes (principalmente homicídios), em decorrência do tráfico de drogas (tanto pela disputa pelos pontos de venda, quanto pelo combate do Estado). São” as vítimas “do tráfico que elevam (e muito) os números de homicídios.

Além do mais, sem dúvidas, conheço pessoas que foram vítimas de crimes, quase sempre de roubo (geralmente de celular), já ouvi muitos casos e já folheei muitos processos criminais.

O questionamento é sobre esse pânico que vivemos diariamente, o qual nos faz ter medo de ir à padaria comprar pão e se ele é realmente justificável ou se superdimensionamos a realidade.


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4 replies »

  1. Não podemos bancar o herói, mas também não podemos perder a coragem. A violência na TV gera audiência. Se não fosse por isso, já teria saído da mídia. O que vemos são reportagens trazendo todos os detalhes de como o crime ocorreu, mas um crime bem pior ocorre por debaixo do tapete, que a TV não mostra, muitas vezes por fazer parte deste esquema, que são os crimes de colarinho branco. Se a população estivesse bem suprida emocionalmente e fisicamente, não que isso justifique o crime, não é isso, mas uma sociedade mais justa e democrática, com empregos e acesso a educação, o crime não chegaria às periferias e nem se tornaria manchete em todos os veículos de comunicação. Boa noite. Abraço!

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    • Certíssimo!
      A questão toda é: o que é crime?
      Quem pratica crime?
      Qual crime é mais grave?
      Qual gera mais prejuízo?

      Pq parece que pra grande parte da população, desmuniciada de informação, o roubo e o tráfico são os piores, até msm o homicídio.
      Mas qtas mortes decorrem do desvio de dinheiro? Da corrupção? De tantos outros se colarinho branco?

      Um grande abraço e valeu pela reflexão!

      Curtido por 1 pessoa

  2. Meu pai mora numa cidade do interior. Nunca foi vítima nem presenciou nenhum crime…nem tem amigos ou parentes que foram vítimas. No entanto vive com medo de tudo, sempre verificando as portas e janelas ao entardecer. Vai ao banco morrendo de medo de ser assaltado (apesar do banco NUNCA ter sido assaltado). Quando sai na rua está sempre com medo de topar com um criminoso. E está sempre repetindo que a violência está muito grande, apesar de a cidade ser calma e os crimes serem raros. Mas isso tem um motivo: ele assiste todos os jornais e programas que noticiam crimes…programas sensacionalistas que visam audiência mas que acabam gerando o terror e pânico na população. Ele fica hipnotizado durante horas na frente da TV e depois sai contando pra todo mundo o que ele viu como se a qualquer momento pudesse acontecer com ele. Só que sabemos que é muito pouco provável que aconteça visto a cidade ser bem tranquila.
    E por isso concordo com você….a mídia aumenta a proporção do que acontece fazendo parecer que todo mundo agora deva se trancar em casa. A violência existe… mas sempre existiu só que antes não era tão noticiada!

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