Audiência de Conciliação

A bibliomancia e a audiência de conciliação

Era mais uma audiência de conciliação no Juizado Especial Cível, referente a uma ação de indenização por danos morais ajuizada contra um grande banco, sob a alegação de uma negativação indevida.

Estavam na sala de audiências o conciliador, a autora(uma senhorinha de cabelos grisalhos, de coque, com saia comprida e uma bíblia nas mãos), o preposto da empresa ré e o seu advogado.

Aberta a audiência, o conciliador explica o ato processual às partes, principalmente para a autora da ação, haja vista a sua avançada idade e o fato de estar desacompanhada de advogado, e pergunta ao advogado da empresa ré se havia alguma proposta de acordo para resolução da lide.

O advogado, muito educado, demonstra o interesse da empresa em realizar o acordo e afirma que a proposta é no valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais).

Feita a proposta, foi indagado à autora se aceitava aquela proposta de acordo, ocasião em que ela pediu um momento, abriu a bíblia aleatoriamente e, após ler um dos versículos, disse que não era possível aceitar a proposta naqueles moldes.

Assim, o conciliador novamente perguntou à parte ré se haveria alguma outra proposta de acordo, tendo em vista a impossibilidade de acordar nos valores propostos anteriormente, sendo que o advogado disse que poderia aumentar a proposta para R$ 2.000,00 (dois mil reais).

A autora, questionada sobre a possibilidade de fechar o acordo, mais uma vez abriu a bíblia aleatoriamente e, após ler outro versículo, disse que não poderia aceitar aquela proposta.

No intuito de pôr fim ao processo, o conciliador insiste com o advogado da requerida sobre uma nova proposta de acordo, num valor mais alto, sendo que o advogado e o preposto, nesse momento, pediram para entrar em contato com a empresa para ver a possibilidade de aumentar o valor do acordo, tendo regressado com uma proposta final no valor de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) e afirmaram que se a autora não aceitasse aquele valor o processo teria que continuar, com a designação da audiência de instrução e julgamento.

Com a maior calma do mundo, a requerente abriu a bíblia outra vez, leu um versículo e disse: “Agora sim. Agora estou autorizada a aceitar esse acordo.”.


Obs.: Esse é apenas mais um “causo” do dia a dia forense. Não considerem como uma crítica religiosa ou algo do tipo, por favor.


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