Criminologia

Não podemos exigir o cumprimento das normas – o Estado ataca novamente

Faz pouco tempo que escrevi um simples texto chamando a atenção para a situação de determinadas crianças que ficam jogadas abandonadas por aí, sem nenhuma perspectiva de futuro, concluindo que não podemos exigir delas o cumprimento das nossas normas.

Naquele texto, crianças dormiam nos respiradores de ar (quente) do metrô de São Paulo. Vale repostar a foto, de tão impactante:

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A foto fala por si, né?!

No caso desse post, a situação não é muito diferente.

Uma pessoa é condenada e presa (não necessariamente nessa ordem), fica anos reclusa, sob a custódia exclusiva do Estado, entra no sistema analfabeto e anos depois sai analfabeta.

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Essa não é uma exceção do sistema, é uma realidade.

Infelizmente,a realidade prisional demonstra que a maioria das pessoas permanece presa provisoriamente, sem ainda ter sido condenada.

E, para piorar, em muitos casos permanecem mais tempo presa provisoriamente do que para cumprir uma sanção oficial.

Assim, a tendência é de que o indivíduo fique a maior parte do tempo em um Centro de Detenção Provisória, que é a unidade prisional destinada a quem aguarda julgamento.

Nesse ponto, indico a leitura de um outro texto meu, dessa vez sobre a minha primeira ida a um presídio, apenas para você que ainda não teve a oportunidade de ir em um tenha uma mínima ideia do que ele representa.

Sabe qual é a realidade prisional? Vou te falar, ou melhor, vou te dar números.

Em um dos Centros de Detenção Provisória da Região Metropolitana de Vitória/ES a capacidade projetada é de 548 (quinhentas e quarenta e oito) pessoas, mas a lotação atual é de 900 (novecentas) pessoas, ou seja, temos quase 65% (sessenta e cinco por cento) de pessoas além da capacidade do local.

E quanto as vagas de estudo? Dá até desânimo de falar…

São apenas 44 (quarenta e quatro), menos de 10% (dez por cento) da capacidade projetada.

Em uma realidade onde a maior parte dos presos não terminou os estudos, ofertar 44 (quarenta e quatro) vagas de estudo para no mínimo 548 (quinhentos e quarenta e oito) é a maior demonstração de descaso estatal e de falta de interesse em tentar reverter o quadro.

No caso da foto lá de cima, a pessoa entrou analfabeta e saiu do presídio, anos depois, sem saber escrever sequer o nome.

O que esperar que essa pessoa faça ao sair do presídio, anos depois? Qual a probabilidade de arrumar um emprego?

E o mais importante, como esperar que ele não cometa crimes novamente?


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6 respostas »

  1. A foto das crianças é de cortar o coração. Quanto as situações nos presídios, eu nunca fui em em um, aliás já fui uma vez mas só para fazer um B.O de uns documentos que perdi, não vi o lugar onde os presos ficam, irei ler o texto que você recomendou sobre o assunto. Seu texto me fez pensar: se os presídios já estão superlotados e com condições precárias, imagina se conseguirem reduzir a maioridade penal? Seria um verdadeiro caos.

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  2. Enquanto tivermos os Cunhas ,os FHC, os Lulas ,Dilmas,os Collor da vida e etc…vamos ver essas cenas sim…culpa nossa insanidade nossa e falta de planejamento familiar …até os cão hj sabem que ter filho demais e jogá.los no mundo é coisa de cadelos!

    Curtido por 1 pessoa

    • E mais, Marton, enquanto os integrantes da sociedade continuarem se preocupando com interesses individuais não coletivos, continuaremos assim.

      Temos que ter mais nós e menos eu.

      Um grande abraço e obrigado pelo comentário! Volte sempre!!

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    • Esse é um grande problema que vivemos, Maria, e a ele é dada pouca importância por parte da sociedade. Preferimos, muitas vezes, passar pelo outro lado do que cruzar com moradores de rua. Preferimos manter os presídios distantes das cidades, para não vermos a realidade, ao invés de querer reinserir aqueles que cometem atos ilícitos na sociedade.
      Como mudar se nós não ajudamos na mudança?

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