Crise social

Por que não respeitamos a opinião contrária?

Aparentemente, vivemos um período em que não respeitamos a opinião contrária. Ao que tudo indica, pensar diferente é motivo de raiva. Mas por qual razão não aceitamos a opinião contrária? Vivemos uma “era da intolerância”?

Já faz algum tempo que escrevo sobre Direito Penal, principalmente no que se refere a assuntos voltados para a Criminologia, o que gera “incômodo” em muitos que leem.

As pessoas, ao invés de demonstrar o seu inconformismo com o que escrito, passam a ofender diretamente quem escreve, sem nem mesmo conhecer o autor.

Um dia desses publiquei um texto que falava sobre os estudos da Criminologia e como são prejudiciais os rótulos impostos a quem é réu em um processo penal.

O título do texto é “Precisamos parar de chamar as pessoas de ‘bandido'” e caso queira acessá-lo, basta clicar aqui.

Nesse texto, trouxe algumas reflexões voltadas para o fato de que a partir do momento em que afirmamos que uma determinada pessoa é algo (bandido, traficante, assassino, assaltante, …), incutimos nela essa “qualidade” e impedimos que ela seja outra coisa além disso.

O questionamento era mais ou menos assim: será que uma pessoa que é acusada de praticar um assalto é necessariamente um assaltante? Ou que aquele que é acusado de tráfico é um traficante?

Ele É um assaltante ou praticou um assalto? Pode parecer que não, mas isso faz toda a diferença.

Ao que tudo indica isso gerou uma revolta muito grande nos “leitores” (principalmente naqueles que só leram o título e não o conteúdo), os quais passaram a fazer as mais variadas ofensas pessoais a quem havia escrito o texto.

Vejamos algumas dessas ofensas:

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Com isso me veio o questionamento: a não concordância com o conteúdo do texto, com a opinião do outro, é motivo para ataques pessoais?

Ninguém é obrigado a concordar com nada, sendo direito individual acreditar e achar o que bem entender, mas isso não é uma autorização para fazer e falar o que quiser.

E mais, basta navegar por alguns minutos na internet para presenciar inúmeras e incontáveis cenas de intolerância, das mais variadas.

Parece que a internet é terra sem lei e as pessoas se sentem mais encorajadas a falar aquilo que não falariam, por medo, pessoalmente.

Será que não é possível ter opiniões divergentes, sem que isso cause um problema entre as pessoas?

Se eu sou contrário a redução da menoridade penal, é porque eu nunca fui vitimado, violentado e etc e que, portanto, deveria passar por uma situação como essa para ver o que é bom e começar a pensar que os adolescentes devem ser presos.

Ou, então, tenho que pegar esse menor e levá-lo para casa, já que tenho tanta dó dele.

De outro lado, se falo sobre as drogas, sou um “Zé Droguinha” que só pensa em benefício próprio e que tá doido para sair por aí usando drogas.

Ou, então, tenho que ser vítima de um usuário de drogas para saber o quanto a droga é ruim para a sociedade.

E por aí vai.

Mas calma lá!

O fato de eu ter uma opinião contrária a sua não me torna melhor ou pior do que você, apenas demonstra que pensamos diferente.

E não é pelo fato de que estamos na internet que a educação e os bons costumes deixaram de ser necessários.

Será que pessoalmente essas ofensas seriam feitas da mesma forma?

Precisamos entender que são as discordâncias que fazem uma sociedade mais justa e igualitária, pois não há como se chegar a solução de um problema se não se discute sobre ele e sobre as suas consequências.

Em regra, o Direito é voltado para a discussão, para a defesa de teses, e, por isso, se não conseguirmos realizar simples debates de forma impessoal, temos que mudar de profissão/área de estudo.

Menos intolerância e mais respeito com a opinião contrária.

É dessa junção de ideias que surgirá uma sociedade melhor e não da disputa para saber quem está com a razão.


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6 respostas »

  1. Eu sou acadêmico aos 71 anos. Mas é claro ainda preciso de advogado (a) e como tal as vezes leio alguma matéria , e envio para ela fazer nossa defesa ,ela jamais respondeu a um e-mail meu .Um outro dia liguei para ela e perguntei sobre o assunto a resposta foi .
    NÃO SOU OBRIGADA A FAZER O QUE VOCÊ QUER. e isso consta no código de ética do advogado, correto.Mas o código de ética diz também que entre advogados e clientes deve ter confiança e respeito ,correto.Para mim foi um chute no saco.Depois disso resolvi ir no escritório .Eu disse a ela que ninguém é obrigado a fazer nada senão em virtude de lei ,e o fato de EU fazer algumas observações não significa passar por cima do trabalho dela é claro que ela deve agir conforme seus preceitos desde que não me prejudique na Petição , uma virgula uma palavra mal produzida fara com que o juiz interprete ao contrario dando o parecer contra o autor e nesse caso pode virar o feitiço contra o feiticeiro . E como agir no momento de uma resposta acima. fiquei com raiva sim mas em sua presença ela não reafirmou o que disse .apenas ouviu. No escritório existe mais duas colegas dela ,eu já de saída resolvi dizer-lhe que sua atitude pode gerar uma representação na OAB no que uma delas concordou ,concordou e dai…..todos sabem que a OAB usa de corporativismo com seus sócios advogados, poderiam no máximo chamar à atenção dela . A solução seria a troca de advogado afinal ela não esta fazendo as coisas conforme o cliente pede .resultado uma faca de dois gumes.Constituir outro advogado ele ira perguntar para mim ou até mesmo depois para a própria O que houve !!! e acaba deixando eu mais ao leo ainda Nesse diapasão é preferível deixar o barco rolar e ver o que vai dar se ela não TEM RESPEITO ,EDUCAÇÃO , E HONESTIDADE . devo esperar o resultado antes de tomar uma decisão as vezes O SILENCIO É A MELHOR SOLUÇÃO para controlar um ignorante quem sabe EU OU QUEM RESPONDEU . ..

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  2. Amei a explanação, sofri recentemente isso, principalmente quando disse q entendia das leis pois sou formada em direito, a pessoa veio de lá com 2 pedras na mao. E por eu nao ter passado na oab, a pessoa ainda usou disso e falou “por isso que nao passa”, ” diploma comprado” so porque eu discordo da liberação de armas pra sociedade, é mole?

    Curtido por 1 pessoa

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